A segregação de funções na gestão de chaves é um controle de segurança que distribui permissões e responsabilidades sobre os ativos criptográficos entre diferentes usuários ou perfis.
Na prática, evita que uma única identidade possa, sozinha, criar, administrar, utilizar e excluir uma chave, reduzindo riscos de abuso de privilégios, erros operacionais e comprometimento do ambiente.
Em sistemas que utilizam criptografia para proteger transações, dados ou comunicações, não basta armazenar as chaves em local seguro. É igualmente importante controlar quem pode fazer o quê com cada chave e em qual etapa do seu ciclo de vida.
Esse cuidado ganha ainda mais relevância em bancos, fintechs, cooperativas de crédito, adquirentes e empresas de meios de pagamento, onde chaves privadas podem estar associadas à assinatura digital, autenticação e proteção de operações críticas.
O que é segregação de funções na gestão de chaves?
A segregação de funções, também conhecida pela sigla SoD (Segregation of Duties), parte de um princípio simples: operações sensíveis não devem ficar integralmente sob o controle de uma única pessoa ou identidade.
Aplicado à gestão criptográfica, isso significa separar permissões relacionadas a atividades como:
- Key generation;
- Policy-making;
- Utilização das chaves;
- Autorização de operações sensíveis;
- Rotation and revocation;
- Exclusão ou destruição;
- Administração de usuários e permissões;
- Consulta e auditoria dos registros.
O objetivo não é necessariamente exigir várias pessoas em qualquer operação cotidiana. A arquitetura deve identificar quais ações representam maior risco e estabelecer controles proporcionais à criticidade.
Assim, uma aplicação pode ter permissão para solicitar uma assinatura com determinada chave, por exemplo, sem possuir autorização administrativa para exportá-la, substituí-la ou excluí-la.
Essa separação transforma a segregação de funções em um controle tecnológico de acesso aos ativos criptográficos, e não apenas em uma política administrativa.
Por que uma única conta com privilégios elevados representa um risco?
Considere um ambiente no qual um administrador consiga criar uma chave criptográfica, alterar suas permissões, utilizá-la, exportá-la quando permitido, excluir registros de auditoria e posteriormente destruir a própria chave.
Mesmo que esse profissional seja confiável, a arquitetura cria uma concentração excessiva de privilégios.
O risco não está apenas em uma eventual ação mal-intencionada. As credenciais desse administrador podem ser comprometidas, uma configuração pode ser alterada por engano ou uma conta privilegiada pode permanecer ativa além do necessário.
A segregação reduz esse problema ao limitar o alcance de cada identidade.
Se uma credencial for comprometida, o atacante não necessariamente terá acesso a todas as funções necessárias para assumir o controle completo dos ativos criptográficos.
Como a segregação de funções funciona tecnologicamente?
Em uma arquitetura moderna de gestão de chaves, a segregação deve ser aplicada pelos próprios mecanismos de controle de acesso da solução.
Um dos recursos utilizados para isso é o RBAC (Role-Based Access Control), ou controle de acesso baseado em papéis.
Em vez de conceder permissões individualmente e de maneira indiscriminada, são criados perfis associados a determinadas responsabilidades.
Um ambiente pode estabelecer, por exemplo:
| Perfil | Permissões possíveis |
| Administrador de segurança | Configura políticas e determinados parâmetros do ambiente |
| Gestor de chaves | Administra o ciclo de vida das chaves dentro das permissões concedidas |
| Aplicação | Solicita operações criptográficas autorizadas |
| Operador | Executa determinadas rotinas operacionais |
| Auditor | Consulta eventos e registros sem alterar chaves ou políticas |
Essa divisão é apenas ilustrativa. Não existe uma matriz de segregação universal: os papéis precisam ser definidos de acordo com arquitetura, criticidade das chaves, processos internos e requisitos aplicáveis a cada organização.
O ponto central é que as permissões sejam tecnicamente limitadas, e não apenas estabelecidas em um procedimento escrito.
Segregação de funções, menor privilégio e RBAC: qual é a relação?
Os três conceitos são complementares.
O princípio do menor privilégio determina que cada identidade deve possuir somente os acessos necessários para desempenhar sua função.
O RBAC é um mecanismo tecnológico que permite organizar permissões de acordo com papéis previamente definidos.
Já a segregação de funções utiliza essa estrutura para impedir combinações de privilégios consideradas incompatíveis ou excessivamente arriscadas.
Na gestão de chaves, isso pode significar impedir que o mesmo perfil tenha simultaneamente poderes para administrar uma chave crítica e alterar os controles utilizados para auditar suas próprias operações.
Quanto mais granular for o modelo de permissões, maior tende a ser a capacidade de separar responsabilidades de maneira coerente.
Controle duplo e segregação de funções são a mesma coisa?
Não. Os conceitos estão relacionados, mas representam controles diferentes.
Na segregação de funções, responsabilidades diferentes são atribuídas a pessoas ou perfis diferentes.
No controle duplo (dual control), determinada operação sensível exige a participação ou autorização de mais de uma entidade.
Por exemplo, uma organização pode determinar que uma operação especialmente crítica envolvendo uma chave mestra somente possa ocorrer mediante a participação de dois responsáveis autorizados.
Outro conceito associado é o split knowledge, no qual nenhuma pessoa possui individualmente conhecimento suficiente para reconstruir determinado segredo.
Esses mecanismos podem ser combinados conforme o nível de criticidade da operação e os recursos oferecidos pela tecnologia de custódia utilizada.
Como HSM, KMS e Vault participam dessa estratégia?
A segregação de funções precisa acompanhar a chave independentemente de onde ela esteja protegida.
Uma organização pode utilizar HSM (Hardware Security Module), KMS, Vault corporativo ou serviços de gerenciamento de chaves em nuvem. Em arquiteturas híbridas, diferentes tecnologias podem coexistir.
Nesse cenário, uma plataforma centralizada de gestão ajuda a evitar que cada aplicação estabeleça seu próprio modelo de acesso às chaves.
A custódia também pode acrescentar uma camada importante de proteção. Em determinadas arquiteturas com HSM, por exemplo, uma chave privada pode permanecer protegida dentro do ambiente criptográfico e ser utilizada para executar uma operação sem que seu material seja exposto diretamente à aplicação.
Portanto, há duas perguntas diferentes:
Onde a chave está protegida? e Quem está autorizado a solicitar ou administrar operações com ela?
Uma estratégia consistente precisa responder às duas.
Por que a auditoria é indispensável para a segregação de funções?
Separar privilégios sem registrar as operações deixa uma lacuna importante.
A organização precisa conseguir determinar quem realizou determinada ação, quando ela ocorreu e sobre qual ativo criptográfico, de acordo com as capacidades de auditoria do ambiente.
Logs e trilhas de auditoria ajudam a identificar uso indevido de privilégios, alterações administrativas, eventos inesperados e possíveis violações das políticas estabelecidas.
Também permitem que o perfil responsável pela auditoria tenha visibilidade sobre as operações sem necessariamente possuir permissão para executá-las.
Assim, RBAC, segregação de funções e auditoria formam camadas complementares de governança criptográfica.
Temos um artigo que aborda o tema de auditorias e rastreabilidade, confira!
Como implementar a segregação de funções na gestão de chaves?
O primeiro passo é mapear o ciclo de vida dos ativos criptográficos e identificar quais operações podem representar maior impacto para a organização.
A partir desse diagnóstico, é possível estruturar uma matriz de responsabilidades que estabeleça quais combinações de privilégios devem ser evitadas.
Alguns pontos precisam ser avaliados:
- Quais usuários e aplicações possuem acesso às chaves;
- Quais perfis podem criar, utilizar, alterar, rotacionar ou excluir chaves;
- Quais operações exigem aprovação adicional;
- Como contas privilegiadas são protegidas;
- Como alterações de função afetam as permissões;
- Quais eventos são registrados para auditoria;
- Como acessos desnecessários são revogados;
- Como HSMs, KMS e Vaults participam dessa arquitetura.
Também é importante revisar as permissões periodicamente. Um modelo correto na implantação pode se deteriorar ao longo do tempo à medida que pessoas mudam de função, novas aplicações são integradas e privilégios temporários deixam de ser removidos.
A segregação de funções ajuda a atender requisitos de segurança do mercado financeiro?

Sim, mas é importante evitar uma simplificação comum: uma solução com RBAC ou segregação de funções não torna uma instituição automaticamente conforme com determinada regulamentação.
No Brasil, a Resolução CMN nº 4.893/2021, em sua versão vigente atualizada em dezembro de 2025, estabelece requisitos relacionados à política de segurança cibernética para instituições abrangidas pela norma. Entre os controles citados estão autenticação, criptografia, rastreabilidade, controles de acesso e proteção de credenciais e chaves privadas.
Portanto, tecnologias de controle de acesso, proteção de chaves e auditoria podem contribuir para a implementação dos controles técnicos exigidos, mas devem fazer parte de uma estratégia mais ampla de governança, segurança e gestão de riscos.
Como o PRODIST STS ajuda no controle de acesso às chaves criptográficas?
O PRODIST STS centraliza funções de criptografia, assinatura digital e gerenciamento de chaves, permitindo estruturar uma camada especializada para proteger os ativos criptográficos utilizados pelas aplicações.
Entre os recursos disponibilizados pela tecnologia estão o controle de acesso baseado em papéis (RBAC), autenticação baseada em certificados (mTLS), auditoria das operações e gerenciamento centralizado das chaves.
A solução também pode trabalhar com diferentes modelos de custódia, incluindo KMS próprio da PRODIST, integração com HSMs homologados, Vaults corporativos e serviços de KMS em nuvem.
Isso permite separar a aplicação de negócio da camada responsável pela proteção e administração dos ativos criptográficos.
Em vez de distribuir chaves e regras de acesso entre diferentes aplicações, a instituição pode concentrar a gestão em uma camada especializada e definir quais perfis ou sistemas estão autorizados a executar determinadas operações.
Para ambientes financeiros, essa abordagem também facilita a adoção de políticas mais consistentes de menor privilégio, rastreabilidade e governança das chaves.
PRODIST: autoridade em gestão e proteção de ativos criptográficos
A segregação de funções na gestão de chaves é mais eficiente quando políticas organizacionais e controles tecnológicos trabalham juntos. Não basta determinar quem deveria acessar uma chave: é necessário dispor de mecanismos capazes de restringir privilégios, proteger os ativos e registrar as operações realizadas.
Fundada em 1987, a PRODIST possui atuação especializada em criptografia, assinatura digital e segurança aplicada às operações do Sistema Financeiro Nacional.
Nossa tecnologia está presente em operações críticas desde o início do SPB, em 2002, e atuamos junto a bancos, fintechs, cooperativas de crédito, adquirentes, subadquirentes, instituições de pagamento e outras organizações que dependem de elevados níveis de segurança.
Com o PRODIST STS, a instituição pode centralizar a gestão dos ativos criptográficos e integrar diferentes modelos de custódia, criando uma camada tecnológica mais consistente para implementar políticas de acesso, rastreabilidade e proteção das chaves.
É justamente essa combinação entre tecnologia própria, especialização em criptografia, experiência no mercado financeiro e suporte técnico especializado que posiciona a PRODIST como parceira para organizações que precisam elevar a maturidade da gestão de seus ativos criptográficos.
FAQ – Segregação de funções na gestão de chaves
É a separação das responsabilidades e permissões relacionadas às chaves criptográficas entre diferentes usuários ou perfis, evitando a concentração excessiva de privilégios.
Porque limita o que cada identidade pode fazer e reduz o impacto de erros, abuso de privilégios ou comprometimento de uma conta administrativa.
RBAC é o controle de acesso baseado em papéis. Ele permite atribuir permissões conforme a função de cada usuário, administrador, aplicação ou outro perfil autorizado.
A segregação distribui responsabilidades entre perfis distintos. O controle duplo exige a participação ou autorização de mais de uma entidade para executar uma determinada operação crítica.
Sim. Os controles podem fazer parte de arquiteturas com HSM, KMS, Vaults e outros mecanismos de custódia, conforme os recursos de cada tecnologia e a política de segurança adotada.
Porque permite rastrear operações realizadas sobre os ativos criptográficos e verificar se os acessos e ações estão de acordo com as políticas estabelecidas.
O PRODIST STS oferece gerenciamento centralizado, controle de acesso por papéis (RBAC), autenticação mTLS e integração com diferentes tecnologias de custódia, como HSMs, Vaults e KMS.

